segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Poemantra


O poema tem o poder do mantra
Por ele é possível o impossível

A libertação sutil
Dos nós do coração

Superar sem embargo
Os limites da razão

Enfrentar a ilusão do que não és
E entrar em comunhão com o verso

É profundamente contagiante
Como uma balada de mil cítaras

É encontrar o interior de tudo
Sem obstáculos e couraças

Ter o ser no mundo

sábado, 18 de junho de 2016

Lennon Ensinou


Na esfera do artificial
De todos os lados
Seja onde for
Nada passa de um jogo
Pra ver quem impressiona mais

Negar esse oculto fato
É sentenciar a si próprio
Culpado
Impreciso pra ser preciso

E quando cai a socapa 
E superada a dor
Não importa mais nada
O que a ilusão criou

A verdade em um átimo
Revela-se com estupor:
Todos somos iguais

Mas na história da luta de faces
Tudo é um blefe
Lennon ensinou.


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A lá Kerouac

A cada segundo de meditação
Maior a sapiência fica
Mas siga o ritmo incessante da batida
E da melodia que nas ruas vibra

Diariamente mergulhe profundo
E mantenha o olhar no presente
Pra sentir mais forte
O poder que vem além do chão

Mesmo que muitos não entendam
Atenda
Não perca a mensagem que vem em raros momentos
Pode ser a última chamada
Da intuição

Mas é preciso saber
Também fazer algumas paradas
E cultivar a paz e a tranquilidade
Como tomar o sagrado chá 
De final de tarde

Desperta a curiosidade sem fronteiras
Este dom mágico
Presente não só apenas nos gatos
Mas em todos  que pulam barreiras

Vá e aproveite ao máximo 
Seja qual estrada for
Os ventos do mundo
Sopraram a seu favor.


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Nos mínimos vestígios

O silêncio por vezes
reflete os pensamentos
e enquanto alguns lavam as mãos
a pureza escorre pelo ralo
e se tal fosse verdadeiro
cedo ou tarde
menos íntegro
seria o mundo inteiro
mas tola ideia
sendo ou não certa
tudo vai pelo cano
não só o que se nega
mas imaginações e fantasias
e diante das pupilas
desatentas 
sobre a pia onírica do relento
o opaco se luzia.


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Não ignoro a existência

da história oculta e não revelada
dos sinais manifestados ou não do universo
de cada palavra da página do mundo virada
dos ciclos de inúmeras épocas
das gerações que permeiam todas elas
das energias e do poder que emanam da terra
das evidências e mistérios
de cada partícula inequívoca de grandeza
ou da menor das torpezas
que habitam em cada um
nos homens e mulheres
nem mais e nem menos
nada aquém e nada além
por tudo isso e tantos outros motivos
forçoso é evitar julgamentos
de quem quer que seja
enquanto nós
meramente nós mesmos 
fomos a única referência
pois cada sentença
é uma fagulha de consciência.



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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Breve Recado


Aqui meu bom
Não há um dia que não seja
Um corre-corre
A rotina do lá e pra cá
De metas que não sejam traçadas
E desconfiança generalizada

Aqui meu bom
O lobo é o próprio homem
No sentido estrito ou lato
O medo está estampado
E se dissemina como praga
Em cada canto quadrado

Aqui meu bom
A regra é comer o pão amassado
E extrair até a última gota
O suor do rosto cansado
Enquanto exceção é viver
Com esse tempo escasso
Dignamente de fato

Confesso meu bom
Embora pareça louco
Desejo tão somente um trem
Que ultrapasse as fronteiras do mesmo
E tentar sem fim ir além.


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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Minha flor de lótus


Fiz das suas belas pétalas

Meu abrigo mais aconchegante

 

Da sua morada

Um templo de amor inebriante

 

Do seu doce cheiro

Um aroma incessante

 

Minha amada flor

A mais linda do mundo

Cuja beleza

Encheram meus olhos de encanto

 

O mel do seu néctar

É a fonte que nutre me sangue

Por isso lhe dedico todas as carícias

Na companhia de cada instante

 

E mesmo na sua ausência

Tão vivos são teus contornos

Que diante de mim

Sinto como se estivesse fosse

 

Por isso não me importo

Com o quando

Com o quê

e o como

 

Mas tão somente

Em estar por inteiro

Do caule

Até a ponta de cada ramo.



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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Poema Austero


O que me importa
A métrica
A escanção silábica
Os decassílabos
Os alexandrinos
Os redondilhos
Maior e menor
Os tercetos e quartetos
As estrofes rimadas ou não
Que me diferença faz
Se não são sonetos ou haicais
Se não lembram Camões
Leminski ou Drummond
Se não tem consonância
Ou aliteração
Limito-me apenas
Em deixar próximo da mão
Um caderninho velho
Uma caneta quase gasta
E dar luz
Numa força irresistível
A versos livres e soltos
Sem qualquer tipo de dono
Sem qualquer prisão.


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