Tem vezes que é difícil aceitar
Que os nervos não são de aço
Que tem dias que a noite
Parece não ter fim
A boca não ter voz
E enxergar além da mesmíssima visão
Tem vezes que é difícil negar
Que um rastro de nós se perde a cada passo
Que a melhor melodia
Vem do silêncio vago
E a melhor direção é a contramão
Tem vezes que a pedra está no caminho
O amargo está no hálito
A luta real não tem bandeira
E se manter sempre de pé
Um ato contra a natureza
Um protesto contra si mesmo
Tem vezes que os ponteiros
São a única coisa a contemplar
Um instante parece sempre eterno
E os versos virados do avesso
Tem vezes que é melhor subtrair do que somar
Arrancar os espinhos
Do calo das ideias
Do que pular
De panaceia em panaceia.
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