sexta-feira, 25 de julho de 2014

VoraCidade I

Muros e prédios se erguem
na minha cinza retina
desiludido me destilo
com o coração destilado

Piso no chão de concreto
mas não há nada de concretizável
com exceção de vorazes
ruas calçadas e carros

Paro em algum sórdido ponto
e contemplo um ônibus qualquer
depois de tanta fumaça
engolida abaforada tragada

A nocaute petrificado meu corpo cai

A cidade
amanhece
entardece
e anoitece
com mais um concreto sobre seus pés.


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