sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Da Roça

                                                  Para Rodrigo Oliva Scandaroli
Eu queria sei lá
Um tanto assim de quase
A duvida que há
Por traz de toda verdade

Eu queria o quase
Um bocado bom de sei lá
Pra ver se levasse
Mais liberdade ao meu pensar

Eu talvez ainda queria
Que isso tudo fosse um dia
Uma inspiração dúbia
Para uma doida poesia


Mas não sei se deveria
Transformar tal duvida
Nesta terra de fantasia.


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terça-feira, 7 de outubro de 2014

(Do)centelha


sem seu doce
amor doce

me restaria apenas doce
a tristeza doce

um adeus doce
como a do sol doce


doce ao se pôr.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Árvores debruçadas

no leito das praças
Postes de lata encravados
em seu peito esfacelado

A fumaça jaz
nos escapamentos encigarrados
Delírios da cidade
um copo com licor de amor
e doses de ódio encruzilhado

O dia amanhece de lábios
com raios solares ressecados
A espera de uma noite
do alto de um ovo de pedra

O sonho se desfola
no rio de destroços urbanos
que em mim queima

e desemboca.


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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

VoraCidade II

Pensamentos paralelepidam
no vão das pessoas que passam

Não há direção luz ou algum lugar
sem ser o bruto concreto
e sonhos asfaltados

Várias escadas
                          para passos
Várias calçadas
                          para passos
Várias praças
                          para passos
Vozes ecoam
 dos recônditos enigmáticos
A cidade em seus
                       descompassos
devora-te
                                a  passos



sexta-feira, 25 de julho de 2014

VoraCidade I

Muros e prédios se erguem
na minha cinza retina
desiludido me destilo
com o coração destilado

Piso no chão de concreto
mas não há nada de concretizável
com exceção de vorazes
ruas calçadas e carros

Paro em algum sórdido ponto
e contemplo um ônibus qualquer
depois de tanta fumaça
engolida abaforada tragada

A nocaute petrificado meu corpo cai

A cidade
amanhece
entardece
e anoitece
com mais um concreto sobre seus pés.


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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Alucinação



Um andar vacilante
Pelas ruas de brumas noturnas,
Meus passos perdidos
Nessa cidade silenciada,
Vou entre lixos e risos
De alma inebriada
E mergulho no surrealismo
De minha visão:
Beleza nos riscos
Das paredes solitárias,
A aura da Lua
Refletindo nas calçadas,
As casas erguidas
Com tijolos de prisão.
O vento atroz arrasta as luzes
E os carros vão sem direção,
O céu com seu manto negro
E de cintilantes estrelas,
Contrasta o fogo citadino
Queimando-me com suas centelhas.
Perdi minha consciência,
Se alguém encontrar
Favor devolvê-la.

sábado, 7 de junho de 2014

Amores tolos não cabem

Na madrugada das ruas paulistanas
Cabe o gozo iminente
Cabe a gargalhada no escuro
Indecências saem dos dentes
De Baco e suas primas
Das mãos e bocas sedentas
Dos amores inflamados
Nasce a deusa serpentina
E um dilúvio de êxtase
escorre do copo 
Até meu corpo
E diante dos portais abertos
entre os meus dedos flâmulos
Transformado em pedra
Leva embora meu coração
Sob uma mentira 
Em forma de promessa
E dessa vida saio
Sem o meu paraíso de néctar.


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domingo, 13 de abril de 2014

(In)versos


Ah, que bom seria
Se algum dia
A profissão
Se tornasse diversão

A cura
Em loucura
A santidade
Em ebriedade


O negócio
Em ócio
O dinheiro
Em devaneio


Ah, que bom seria
Se a poesia
Algum dia
Parasse de rimar perdida
E se tornasse vida.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Voltando das matas

de um ostracismo
que me imputei
um velho xamã
de penas douradas
e olhos de tigre
com sua misteriosa voz
assoviou as incógnitas palavras
que assim decifrei

Lutar por algo ou por alguém
que não tenha a mínima
ou a mesma intenção
É o mesmo que esperar que dê frutos
uma semente plantada
no mais mísero chão.




sábado, 29 de março de 2014

Ontem, Hoje e Depois


A vida
é mesmo estranha
Nada mais já me espanta
Hoje você me agradece
Mas amanhã já me esquece

Ontem o amor era de pujança
Depois de amanhã será mera lembrança
Outrora eram beijos e abraços
Agora desprezos e atrasos

Já não me satisfaço
Melhor que coloquemos um fim
Pois já não residi mais em mim

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Pra dar o que pensar


Nunca espere
Pelo inesperado
Quando você menos esperar
Ou achar que perdeu
O inesperado
Sem esperar
Já aconteceu.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Tirania


Segundos minutos
e horas
não há nada que fuja
do futuro do presente
e do tempo que agora
já é outrora

a criação tornou-se criador
os ponteiros já não estão a girar nas paredes
e nos pulsos
mas nas cabeça
no coração

resta então esperar
se haverá um tempo
em que o tempo