domingo, 30 de outubro de 2022

Voto de Consciência


A crise cognitiva é nosso novo paradigma

Antes se falava em verdade e mentira

No sentido extramoral

Hoje se banaliza 

No discurso eleitoral

Nas esquinas

E na rede social

São tempos dificeis

Mas não para apertar

Um parafuso na porca 

Mas simplesmente pra manter

De fato uma conversa que importa

Estamos cada vez mais distantes

De construir novos horizontes?

Será que houve um bug no mundo

E esquecemos de dar um reset 

E normalizamos o absurdo?

Numa época em que a busca de coerência

Tornou-se motivo de piada

Ou de pura doença

Lutar pelo mínimo existencial

No campo

Na rua

Na mesa

E manter um voto de consciência

Formam agora um ato 

De dignidade e legítima resistência.

sábado, 20 de agosto de 2022

Diário Extraoficial


Não é fácil por vezes aceitar

Ver as estrelas 

Sobre os nossos tetos

Porém, podê-las nunca abraçar


Lá estão sentenciadas a mostrar

O brilho multicolorido belo

Somente enquanto a noite durar


Não é fácil ao acordar

Abrir as janelas

E ter só o mar ofuscante de prédios 

No ângulo do nosso globo ocular


Tanto em cima quanto embaixo

Todos podem brilhar

Apenas por tempo certo e limitado

No diário extraoficial assim foi publicado

E ninguém pode revogar.



sábado, 23 de abril de 2022

Angeli

  

Eu me vejo em você

A barra que em ti pesa

Reflete também em mim

Muitos outros estão presos

Mas a verdadeira paz

Que não depende de uma dose de caos

É um mero rascunho de um desenho

O cuspe que alivia a língua

Vem da revolta da saliva

Na devida medida

Assim também é a vida

Um clube da luta

E poucos conseguem sair ilesos

É a arte de tomar porrada

E não perder a si mesmo

Mas depois da noite insone

Vem a compensação do prazer

De ver antes do mundo inteiro

Pelo menos

A dança do sol nascer.


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terça-feira, 15 de março de 2022

Matutar sem Flores

 

Hoje acordei com uma estranha vontade de abraçar o mundo

E perguntar por que é tão difícil parar tudo

Cultivar a paz e manter um harmônico convívio

Mas será que tem algum interessado em saber o motivo

Se a vida tem ou não algum sentido

Por que aqui e acolá

Em todos os confins da Terra

Tem alguém morrendo

De sede, miséria, fome e guerra

De tanto me perguntar

Minha cabeça deixou de criar raízes

No mesmo lugar

Sei que há tantas incógnitas e poucas repostas

Talvez o melhor seria ser como Sócrates

E dizer como um velho jargão

“Só sei que nada sei”

E tentar falar mais das flores

Mas preso no coração

Apenas tenho espinhos sonhadores.


https://www.facebook.com/denis.faria.5473/posts/4992027224209666