quarta-feira, 18 de junho de 2014

Alucinação



Um andar vacilante
Pelas ruas de brumas noturnas,
Meus passos perdidos
Nessa cidade silenciada,
Vou entre lixos e risos
De alma inebriada
E mergulho no surrealismo
De minha visão:
Beleza nos riscos
Das paredes solitárias,
A aura da Lua
Refletindo nas calçadas,
As casas erguidas
Com tijolos de prisão.
O vento atroz arrasta as luzes
E os carros vão sem direção,
O céu com seu manto negro
E de cintilantes estrelas,
Contrasta o fogo citadino
Queimando-me com suas centelhas.
Perdi minha consciência,
Se alguém encontrar
Favor devolvê-la.

sábado, 7 de junho de 2014

Amores tolos não cabem

Na madrugada das ruas paulistanas
Cabe o gozo iminente
Cabe a gargalhada no escuro
Indecências saem dos dentes
De Baco e suas primas
Das mãos e bocas sedentas
Dos amores inflamados
Nasce a deusa serpentina
E um dilúvio de êxtase
escorre do copo 
Até meu corpo
E diante dos portais abertos
entre os meus dedos flâmulos
Transformado em pedra
Leva embora meu coração
Sob uma mentira 
Em forma de promessa
E dessa vida saio
Sem o meu paraíso de néctar.


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