domingo, 18 de outubro de 2015

Nova Era


Eu sou um corpo semivivo
Vivo e vou indo:
Ora sentado Ora em pé
Ora na cozinha Ora na cama
Perdido no monólogo mudo
E tragicômico da Nova Era
Absorto no sons dos motores
E nos devaneios dos assuntos
Dos ônibus e dos metrôs
Entres labirintos e infinitos corredores
Alheio aos pássaros e vozes
Que reivindicam mudanças
Transgressões e flores
Danado e nado
Vou indo a braços
Pelas noites insones
Pelas manhãs de labuta incessante
Ora lento Ora rápido
Ora na superfície Ora profundo
No rio de asfalto em febre de rato

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Vã Aurora


Dê-me risadas, por favor!

Vagões lotados, gente enlatada. Tropeços na rua, humanas coisas e maltrapilhas. Repartições quadradas, almas burocratas e paredes pálidas. Habitações de jaulas, animais que falam e fornicam e usam a insólita razão.

Dê-me risadas, por favor!

Alhures torneiras escassas, fortuna líquida pelo ralo cai. Em céu aberto veias urbanas, água escura e podre. Lógica do absurdo e metafísica cívica e igrejística, na lousa escolar e nos bancos de preces. Insônias constantes, a madeira que estrala e as horas que passam. A noite perdida, um tiro se dispara.

Repito, dê-me risada.

Mundo afora, mão invisível e reino da lex mercatória. Paz perpétua, extensão da luta por corações e desertos. Todos sem todos, cada um por si. Olho por olho, mente por mente. Mentiras repetidas cem vezes, verdade aos partidos da mídia. Política e circo, é palco da vida.

Dê-me risadas, por favor!
Repito, dê-me risadas!
Risada é ouro em terra de loucos e lobos.